quarta-feira, 22 de julho de 2009

Esmero, saliente pulsar. Como consiguirei desligar-me? Sou em roda, a fortuna que me atordoa, e fujo, correndo perigosamente em círculos obscuros. estendo o olhar à orla dessa abismo... Como admitir que o reflexo do azul, seja esse marasmo violento em tons dantescamente espalhados: marrom esverdeado; do início ao centro, desespero diluído, código morse ininteligível. A cabeça reclama aos pés que não ande, e os pés estendem o momento, no passo dado em falso... os pés já não pensam, a cabeça já não anda e, nesse segundo opressor, repete-se o encanto, num escasso sussurrar de lamento, súplica e enganosa dor.
Dou as costas, vou-me embora, rasgando minhas patas em espinhos coloridos. Deixo marcas, sei disso, nessa areia, nesse solo, onde só me descomponho. Uma brisa acaricia minha face, e num impulso arrepiado, volto-me aos meus passos. Mas, oh! Nunca passara por ali, apagada estava. Encontro uma morbidez lisa, fingindo-se inocente, tirara de mim o sangue, apagando as provas rapidamente. Alimentara aquilo que nunca antes conhecera.
O que preciso fazer para marcar, qualquer relevo que não seja o meu? Como faço, sendo uma incógnita, sendo um simples número que se perde e finda, sem nunca somar-se a outros irmãos?
Estou como feto, pronto a abortar o seu ventre. Seguro meus joelhos e sinto novamente o vento... ataca-me o vento! Me cobre a aurora espelhada, os pequenos grãos. Seria essa a resposta afinal? Unifico-me naquilo que não posso suplantar. Nem semente, uma esperança demente, consigo transformar. Não cresço, nem descreço. Mas mereço, sem dúvida mereço, esmoecer nessa massa, que já galga minha garganta. E minha voz, dantes já tonitruante, torna-se enfim a voz de todos. Sou reflexo do espelho. Imagem mutilada do que fui. Sou agora mais que tudo, marrom esverdeado tentando representar o azul.


Achei esse texto jogado no meu quarto... não me lembro quando o escrevi, nem do meu estado de espírito ao escrevê-lo...mas achei interessante colocá-lo aqui.

Um comentário:

Radaroff disse...

admiravel monologo...realmente há muita profundidade nas palavras e muita qualidade na forma de se expressar