terça-feira, 14 de abril de 2009

Lua cheia
E a passagem
É cada vez mais estreita
Acossado como bicho
De meu, só possuo os instintos febris
A clamarem,
A me impelirem, ao menos
Ao subviver

Tudo está assim.
Olho ao redor
E percebo
Sinto o odor,
O sentido, tato pegajoso
De meus irmaos de espécie
Minguarem
Inexorável mente
Um pontoNo infinito que antes fors
Só nos resta, procurar coragem
Mas o conforto,
Apazigua nossa pressa

disfarçados em peles de seda
em ações de pelica
Emplumados como pavões,
Crescentes em reticências
Para que assim esqueceçamos nossa
Verdadeira forma
Aumentamos aquilo que nunca seremos
Ego em cheia.
Balão lotado de ar
Frágil e suntuoso,
Explodirá?

Com olhos brilhantes
Aguardaremos a nova
(invisível prisão)
Rotina
Fase a fase
De acalantos de ninar
A gemidos de um suposto prazer
Retidos estaremos
Em ações governadas

Quem sabe
Não reste ainda
O reflexo de uma estrela fugidia
Pelo esplendoroso céu
Que antes,fomosUma baça lembrança
Terá que me contentar
Até a próxima maré

terça-feira, 31 de março de 2009

Intra-Útero

Ah,essa prisão em que resido. Desde quando estou presa?No envoltório de carne de minha mãe, já me debatia,tentando fugir. quando vi, estava em um pacote idêntico ao qual acabara de sair, e sei, que quando quiser, envolverei em mim outra mente inocente.
Moro onde todos moram, nesse pote quente, de carne, de osso e de sangue, que punge e tinje o que aprisiona.
Somos todos (sem exceções!),regidospor sinapses e pulsações. Sexo, cérebro e coração. Nessas entranhas estranhas com que convivo diariamente : uma alma cansada, fraca e eloqüente.
Vislumbro entre um e outro piscar, os outros condenados, meus irmãos de purgatório, que assistem seu tempo passar. Se mexem, sem nada desejar, além de consumir seus parcos corpos, nas tocas empilhadas que chamam de lar. Acreditam fielmente que são o que são, por evolução.
Presa, sem direção. Num corpo roto, num amontoado de tijolos tortos, num aglomerado de buzinas e perigos, numa continuidade infinita de "sins e nãos". Tudo o que preciso é a esperança, a dúvida, a espera de quem sabe, um talvez.
Meu destino é o abatedouro. Até lá, por favor, meio quilo de filé. Vou consumir o que me consome, e tentar entender, buscar uma explicação qualquer, para esse fenômeno. o de ainda estar em pé.
Mas afinal, quem rasga as cortinas da própria casa?
Essência viva, dentro de carne que respira, dentro de construção que civiliza, dentro de cidade que multiplica, dentro de cérebro corrupto que desumaniza, dentro de carne que respira, dentro essência viva.



Texto que eu escrevi para um concurso de redação (que fui obrigada a participar).O tema era "O lugar onde moro"...depois de 3 anos fazendo redações sobre esse temazinho insólito,resolvi escrever minha visão e não a visão que queriam que eu tivesse...evidentemente não fui classificada,hehe.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Despotismo livre
Racionalidade apaixonada
Eternidade temporal
Atemporalmente passageira

Retardo evoluído
Revolucionante primata
Primeira decadente
Acaso programada

Sistemática espontânea
Expoente consciente
Consciência concreta
Palpo dissolvente

Estatisticamente única
Movimento fixado
Corpo espiritualizado
Onisciência amnésica

Primordial repetição
Férrea anemia
Beleza monstruosa
Sentimentos frios

A contradição das contradições
O antônimo que simula
O sinonimo que é ser
Sempre nesse findo momento
Exatamente humana

segunda-feira, 16 de março de 2009

Por hora,a calma
O terrivel dissabor
Do esquecimento
Por estes,ora
Flagelo de sua consciência
Estupor esplêndido,
Não se arrepende

Quem sabe agora
Dê o passo,início
Que insiste em retroceder
Quem sabe,chora
Nas bonecas estocadas
O canto que nunca foi ouvido,
Nos sorrisos inocentes
O amarelar da precoce malícia
Que murcha o botão de flor
Menina que cresceu

Mas olha!É forte
Mantém em seu peito
O desvelo angustiado
De quem há muito,
Está programada
Síntese prolixa
Pincéis que ruborizam
Elegância que amofina

Mas vejam,como roda
Saudosa esta senhora
Recorda-se das brincadeira infantis
(As que foi renegada)
Nos braços desse homem
E de tantos outros,
Que mal conhece...
Não mais se percebe
Quanta entrega!
Que maravilhoso espetáculo
É vê-la rodar,
Não lhe falta nada
Além da vontade de parar

Seus homens se cansam
e outros ansiosos tomam seu lugar
Dançar com tal dama
É toxina que vicia
É fada virgem fugidia
É o mel dos lábios da donzela

Mas minha amiga,
Volte para esse mundo
essa noite também já terminou
Ponha seu vestido no lugar
Limpe os suores que escorrem
Sorria docemente
E agradeça a cortesia
De ter vivido sua vida inteira
Durante esse luar,forasteiro
Está pronta para a morte
que a segue,que a espera
Para o futuro incerto
Que persegue
E pelo pé a embaraça
Pelas escadarias a arrasta
E nem ao menos o sapato
Solução tão singela
Deixará para o resgate

Está presa
Pelo invólucro indecente
De sua graça,majestade
Rainha de sua vida
Por uma noite inteira

domingo, 1 de março de 2009

Ao caralho com os subterfúgios conscientes,de uma mente que dorme...mal respira.
As favas com as delongas,as meiguices,a vã castidade com a qual as meninas se pintam.
Ao inferno Você,com suas mentiras cômodas,com sua poltrona em meio,com um mísero jantar.Estão mortos.
Cansei de ser rodeada por aquilo que não sou.E quando vejo meu reflexo,não me vejo,mas vejo-os:silenciosos,tristes e mau amantes.
Me recuso a ser o que estou fadada para sê-lo,desde antes de nascer;minha primeira saudosa morte.
Coroemos então,as primeiras mortes,não a um tolo qualquer.Ele mente,fingindo-se tolo.Bebam avidamente,sugam da fonte a ambrosia envenenada,o néctar de suas rotinas e indagações silenciosas.
Quero meu parto,minha entre-partida,meu seio pelo tecido;minha primeira,bela e unica morte de volta!
Estou cativa,sem que dessa vez o deseje.


Desculpem-me,pelas irregularidades,pelos erros,ou sei lá o que tem aí em cima.quis o texto ficasse da manerira como foi feito,de fôlego,salvo pequeníssimas mudanças que fiz posteriormente.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O grito sussurrado em uníssono
A prece pálida,febril
O descompasso do ritmo sincronizado
Um sorriso que já não é infantil

Passos dados ao largo
Dados que revelam uma face
Fase viciada de abstinência


De negrito,ela se pinta
Mas não revela.
No reflexo dos olhares
Vê seu próprio pedido de ajuda
E sorri
Imbecil mente

Há ruídos do outro lado da porta
Por aqui ainda reina o silêncio.
Cores mesclam-se na sua frente
Na irrealidade ainda há sobrevivência

Da janela,respira o ar estagnado
De seu interior,presente
Outro ser,se alimenta

Observa-se de vários ângulos
De todos nada há,além daquilo
Que lutara para não ser
Questão obsoleta
Para que agora seja tratada

Não há pessoas,nem amigos
Objetos,botões de fácil acesso
Amenizando sua direção,
Só por ser contrária
Por estar ao sul da sua chegada.
Está onde queria pelo avesso
Tem o que precisa pelo lado esquerdo...

Mas não se cansa
Nem pensa em desistir
Tem coisas em sua
Pelas quais,não vale mais a pena resistir

No banco da igreja
Ouve as canções do coral
Tão indecente!
Maravilha-se com os dons
Que deus deu ao Homem
Para que o homem desse a Deus

Está num círculo
Comprimida como raio
Divertindo-se conforme pode
Conforme bebe
Conforme usa
Com forma rotulada e desprezada
Por não ser melhor
Que sua própria embalagem

Despreza-se

Fecha a janela e abre a porta.
E tarde demais
Tenta reverter seu caminho
Está cruzada


Maldito inconsciente subjetivo...

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Senti de repente
Uma vontade imensa de dormir,
Cerrei meus olhos
E caí na imensidade
Do abismo que há em mim

Acordei suando
Em um grito engasgado
Vesti-me e corri
Para o privativo espaço da rua

Em cada passo
Um fôlego a menos
Em cada respirar
Alguns centímetros a mais
Em minha lama
Em meu repugnante subtrair

Observei entediada
O entrevir de perdidos
Tão,ou mais
(ou menos)
Conscientes do que eu

Estendo minha mão para todos os que passavam
Ora pedinte,ora afável,ora inquisidora
Fui para todos
Apenas com aquela mão estendida
Tudo aquilo que os afligiam

E num sorriso seco
Então percebi
Que aquele simples gesto
Que fez o pesadelo reprimido
Surgir num segundo
Na vida de alguns
Aquele pequeno gesto
era meu próprio abismo

Fragmentei-me
Via-me espalhada na calçada
Via-me pelos olhos dos que passavam
Louca,vã,vulgar,medíocre
Via-me!
Como estava
Nua

aos tropeços
Recolhi meus estilhaços
E num entendimento absurdo
Dancei
Tão nua como alua
E,como em suas fases
de minguante que estava
Cresci
E quando cheia
Me renovei

E como brilhava
No novo entendimento do meu nada
Respirar não era mais uma obsessão
O caminhar menos pedregoso se tornou
Minha realidade milimetrada
Num lampejo de alucinação
em um nuance de loucura
Ficou mais leve
Menos palpável
E em meio do meu abismo
Encontrei-me com postiças asas
Frágeis,frias
Mas que me sustentavam!

Meus devaneios eram tantos
Meu sentir tão abstrato
Que não sei como
Despertei
Ainda estava nua
Mas na mesma cama
Onde tudo iniciara

Despedacei-me novamente
Mas dessa vez
Não encontrei minhas asas
E sinto mais forte
O subtrair incessante
Tornei-me num relance
O avesso do que completara
O instante do meu entender
Por uma noite fui
Tudo aquilo que precisara ser

Mas agora acordei
Fechei meus olhos
Talvez para sempre
Pare o que aspiro ser

Então vesti-me
Saí para o aconchego
da invasiva rua
Estendi minha mão
E continuei meu papel
Observadora ocular
Do desconforto que causo
aos que passam
E a mim
Que fico


Quem acompanha meu blog desde o começo,vai perceber algumas idéias repetidas.Perdoem-me,mas não é repetitivo,é necessariamente representativo à algumas fases da minha vida...pois bem,as piores delas voltaram,de uma vez.Então preparem-se porque os reflexos não irão embora.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Nas estações da minha vida
Estaciono
E indolente
Espero o estio passar
Submersa em meu silêncio
Me recolho ao frio desses olhares
Que questionam
Que oprimem
Que hipócritas
Finjem que não compreendem

A garoa perfura a alma
E de companheira
Tenho árvores secas,retorcidas,doídas
Que ainda assim
Creêm mais que eu

Vago nessa neve suja
E lenta,continuamente
Me vergo sob o peso do céu
Mais belo e impenetrável
Que o mais puro marfim

Me lembro,nostálgica
Da época que permiti que minhas
Pobres folhas caíssem.
Em cada uma
A recordação daquilo
(que hoje)
Sei que não posso substituir

Aventure-se
Gritava meu espírito
E como forasteiro
Que nada tem a perder
Não temi
Dei o passo incomensurável
Dos que perderam a razão
Restando-lhes somente a coragem

A tamto tempo
Me atei aos restos
Do que fora
Que estou presa
Entre meus galhos mortos
Nada há,do que foram outrora
São ressentimentos
Vingança,rancor
Dissimulados
Preparam-me a cama com espinhos
E o café com cicuta

Sou tão amarga quanto eles
Aplaudo em torpor
O espetáculo do predador.
Sou a garoa,a neve,os galhos,
o estio.
Sou tudo quanto seja necessário
Para que não tenha que sentir a dor
O medo intangível
De então,finalmente,
Florescer

Estou murcha,
Desde muito antes de nascer.



Que saudade do meu blog!!!Voltarei a escrever nele regularmente agora.(Sensação de que estou falando sozinha,hehe)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Então,mais uma vez,tenho o prazer de vê-los aqui reunidos.Dessa ventura,espero trazer de um trago,uma risada alegre,ou uma verdade obscura.
Estou aqui para servir e nada mais,meus caros convidados,abram seu menu,e sorvam com olhos ávidos o conteúdo.Que tal um filé de desespero ao molho pardo da aceitação?Ou uma salada leve de peso na consciência?Experimentem de sobremesa,o nosso biscoito da sorte(mas cuidado!),comam rápido,de pronto,e jamais(digo jamais),leiam o incômodo papel que dentro contém,perdoem o desconforto,mas o chef da casa ainda não conseguiu substituir esse inconveniente ingrediente.
Mas bebam minhas crianças,se acabem bebendo vinho,bebam do sangue de seu deus,bebam de seu próprio sangue,se entupam de tanto beber!E se esqueçam,oh se esqueçam:dodiadifícil,dascontasapagar,dapreguiçadorespiro,dafrieza,dopenardesseabraço.
Aqueçam suas mentes e esquente sua pungente auto piedade.Esqueçam!
Só não se esqueçam é claro da conta do nosso bar...nosso preço é justo,seu bolso é o ideal,temos fugas de todos os tamanhos,parceladas e a vista,financiamos e entregamos em domicílio,as fazemos até por espírito,é só encomendar!
Sou seu mestre de cerimônias e estou aqui para agradar,relaxem,que o circo já vai começar!Os palhaços estão cinzas,mas não reparem,tudo podemos consertar,mais um golinho de vinho e vamos fantasiar:explosõesdecoresluzesesom,nadamaisbeloqueessebelodia,tudopelasuafelicidade,inflamosseuegocomobalão!
Mas oh,que lamúria,como o tempo passou voando,essa noite já não é sua...entregue-se agora a luz da razão...com esse dia amanhecendo,precisa ir trabalhar,mas fiquem bem tranqüilos,mais a tarde volte para aproveitar.Pois sendo rapidamente sincero,como você,cada vez chega mais!
Ah,esqueceu a carteira em casa?Não se preocupe,sua conta já está paga,quando eu disse que a noite não era mais sua.
Obrigado voltem sempre,quem é da casa paga menos,sou seu mestre de cerimônias,pronto pra atendê-los...

Michael Ende não faz bem para os meus nervos.Estou numa biblioteca com a Isa e um amigo que não vejo a muito,e pego,no improviso,vomitando essas linhas.Não,Michael Ende não me faz bem...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Explodir em chamas frias
Para espalhar em cores vivas
Meus devaneios sombrios e tristes

Decalcar os problemas com esmero
Amolar a faca da minha coverdia
Cortar meus pulsos dilatados
Para ver sair e entar a vida
Que sou incapaz de crer sem enxergar meu sangue turvo

Clamar o perdão dos deuses
Que pecaram contra minha Providência
Providenciar urgentemente
Um pouco de açucar para acalmar meus nervos

Jogar a massa cinzenta na balança
E trocá-la por algumas polegadas de luz azul
Que vão consumir a ferro quante
Meus dias mornos e sozinhos
Que vão infligeir em meus poros
Radiações que entopem
E me fazem esquecer

Afogar a existência num copo d'água
Num pequeno recipiente
Quanto menos melhor
Pois ao contrário da minha existência
Desperdiçar água
Trará males tremendos

Ajoelharei aos prantos
Aos pés de algum porco que suja
Suas vestes com o cuspe
Dos que muito falam
Por nada terem a dizer

Estufarei meu peito
Sedento de fome
Em direção aos céus
Que me cerca
Para enfiar a estaca em que me perco
Bem no centro
Na cerne do que deveria haver

Acalmarei meus pensamentos tumultuados
Acoplados uns em culpa
Outros em sordidez
Com palavras rabuscadas,revoltadas
que sem medo pronunciarei

Ao grito que engulo!
Ao sorriso que expulso!
Ao dia que rasgo,no deixar levar do dia!
A vida que vai,morta das bordas ao centro!

Jogarei tudo o que gostaria de ter
No alto de algum armário empoeirado
Para daqui anos malfadados
Encontre com meu sorriso amarelo
O amarelar dos meus sonhos

Secarei as lágrimas sem que escorram
Para me enganar,
O que não escorre
Não transborda,
O que não transborda
Pode suportar...um pouco mais

Sugar um trago mais fundo
Mais fundo,mais fundo
Tossir sem desespero
O engasgo que não me causa o fumo

Andar com objetivos intrincados
Intrínseco é o desperdiçar do tempo
Da alegria que é ver nascer o sol
E morrer ao fim do dia

Deitar no travesseiro de plumas
Pesado como minha consciência
De ter levado em vão,num vão
Minha flor,minha juventude,minhas ilusões

Covardia de levantar a voz
É medo de não ter o que falar
Além dos grunhidos naturais
Dos macacos pálidos e anêmicos

Doente na raiz dos cabelos
Sem viço,sem visceras
Encontrando esperanças num final
Maia rápido e menos doloroso

Fantasiar com esmero e dedicação
Meu corpo roto e curvo
Com imagens pastéis
De alegrias que não vivi

Verde para o céu que me cega
Pela verdade que é não conhecer o azul
Vermelho para as paixões dissecantes
Que conheço pelos livros que leio e lerei

Cansar minha mente estúpida
De estupidezes fáceis de absorver
E impossíveis de expelir
Para a noite,abrigar o corpo incauto
ao leviano repousar
Dos que fazem demais para menos

Iscas presas em linhas
Que minha boca não alcança
Mas que prende e rasga
Minha carne parca e pouco usada

Enganos diários
Tidos como necessários
Para uma sobre vida
Quase sobre humana
Para quase um sobre


Depois de tanto tempo de relaxo com esse pobre e inocente blog,achei legal por aqui esse texto,por pior que ele esteja,pois disseca um estado de espírito que ainda não conheci mas que mesmo assim,tive o despeito de descrever.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Um pente
um dente
uma mente dormente
um beijo quente
um ser pungente

Um ente somente

Um afago,
um abrigo
a confiança de um amigo

um pródigo proscrito

Uns e umas
Sons e sinas
ìmpar que para aparecer...par

Um todo,um tudo
para nada,o absoluto

Um que nada além de um ser
Dois para um

Um talvez
para o não e o sim

Um balanço,um sustento
Uma força que impulsiona

Uns ai que dizem coisas
Que me deixam assim
parecendo uma pessoa louca

doida,por não ser sã
para sê-lo um,deixo de ser dois
mesmo sendo ímpar,mesmo sendo par

Incompleta por procurar conhecer uns completos

Balanço e contra-balanço

Fazendo um,por conhecer dois

Eo resultado?
Tremo ao pensar
Pior que trigonometria aplicada
Trigo sem semear
Rumo sem um trilho

Chão,trem,trilho

Um trio
Ora pois,pois!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Aquém

Vago impressa
Nas impressões
Que expiro,
Decaio do alto
Me choco no asfalto
e vou além do meu mundo

Deturpo o pudor
Estupro o rancor
Que corrói a ferrugem
do que é feliz

Fecho meus olhos
Para a escuridão que assola
E "ascendo" uma luz
Que excede meu saber
Obsoleto,
Em seu tricotar existir

Desdobro as mangas rubras
E entorno o caldo doce
Que me amarga a inocência

E agora,o que me resta
É fazer de palavras simples
Mil significados,
Sem que nenhum deles,
Signifique aquilo que gostaria de expressar

Mas expiro impressões,
que tampouco expressam
As vagas que carrego
Para um pouco mais
Do pudor que estupro

Ou quem sabe,um belo e cafona amor.


Prometo,que vou tentar parar de usar as palavras belo e palavra.A culpa não é minha,elas me dizem muito,e por mais dor que tenho ao lê-las,não deixam de ser belas,nem de ser palavras.Preciso parar de me repetir^^.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A arte redunda,e redonda ainda é arte.
Se multiplica e se torna rarefeita,mas ainda está arte.
Vai pra bem longe,ou mora no repousar do travesseiro,e nos diz arte.
te encurrala,escurraça.esmiuça suas vontades,e nos torna arte.
É o que bem sabe ser,mesmo que tão mal a façamos e nos transforma em arte.

Vou pra lá,para bem além do distante,me perder nas transições que me traz de volta.

Não me espere,não mande recados,nunca antes fui mais tudo do que nada,

Vamos embora também,há lugar para mais um,todo.

Quero cansar e ócio e esquecê-lo,abandoná-lo,no arquivo vivo que consciente,sei ser minha frágil consciência.

Quero buscar,formas e movimentos nas pedras dos meus sapatos.Jamais foram tão belas!

Mas há,de verdade,algo mais belo,que a palavra belo?Ou a bela palavra?

Transmuto e ainda sou arte,mesmo que nunca seja nada além de tudo o que sou.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Feiche
fechado
de flecha

Fetiche
fervendo
fermenta

Feto
defecado
é fênix

Fera
fenece
no fervor

Férreo
ferroviário
fere

Ferida
febril
é fenda

Fechadura
fecha
o fecundo


Não me perguntem,não sei o que quis dizer...só sei que nada disse

sábado, 3 de maio de 2008

E de repente,não mais do que de repente,meu caro Vinícius de Moraes,veio,ao pé do meu ouvido e me contou segredos versados.Onde ritmo,consiste em coexistência,estética manipulada,para incutir mensagens mais facilmente.Quão fácil seria a vida,se esta fosse em redondilhas!Jamais me esqueceria de lavar minha roupa,ou de quem sabe estudar para a prova que vem chegando.
Se tudo fosse ritmado,haveria um sentido,por mais simples que o fosse,um sentido.Bruto e indelicado,em sua caligrafia rabuscada,mas um sentido.
Deveria haver mais calor,mais frio,mais sensações.Careço de carência.Meu deus em que não creio,me dê um sentido qualquer!Quem sabe,em alusões ao momento que me proporcionastes,não conseguisse,olhar nos olhos sem dúvida,lamento ou perda.Preciso de algo a mais que minhas revoltas armadas,por um objetivo que deprecio em sarcasmo,mas que defendo até a morte se preciso,só por ter algo para lutar.
Precisamos de mais vida!Ou então de um pouco mais desse gás tóxico que entorpece,e estagna, e engana,e nada mais tem a fazer,além de impedir realizações,completando assim sua missão.
Preciso de coragem,para parar com essas fugas baratas,seja em um copo a mais,nas palavras que escrevo para ninguém,no franzir de sombrancelhas,que em momento algum indicou minha moral.

Descobri uma coisa,simples e aterradora:

Não há moral,só vislumbres mal interpretados.
Que seu deus nos acuda enquanto julgamos aquilo que não conseguimos entender!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Dança de Rua

Hoje eu acordei com vontade
De dançar nua
Na rua em movimento
E,ao me despir
Percebi
Que a púbis e os seios que mostro
Não é o nu
Apenas imagem transviada
É fetiche de asas
Que não crescem

Mas eu queria dançar nua
Porque acordara
Então,
limpei meu rosto de expressões
E meu corpo de movimentos
E dancei na rua cheia
Mas não estava nua
Estava vazia
Pronta a recalcar-me de marcas
A me cobrir

Estaquei
Entendera afinal...

Eu queria dançar

Pois acordara nua
E ao me despir
Ao tentar me esvair
Apenas vestira
A minha verdadeira nudez


Acordei
E escondi meu rosto
Em um sorriso
Pois dançava nua
Na rua cheia
Na noite vazia
No amanhecer tardio
No florescer repentino
Na madrugada que rompe e rompia

Dançava nua
Pois acordara
E acordada
Dançava nua
Pois acordara
E mais uma vez rodava

E hoje
Me balanço
Em meias-voltas
Entre pessoas que nem imaginam
que danço nua entre elas
Pois estão tão concentradas quanto eu
A rodopiarem em sua bela nudez

Pois acordamos



*É irresistível não contar o primeiro comentário que tive desse texto.Eu o fiz na rua,enquanto dançava,e,quando cheguei em casa,queria uma opinião.Pensei,minha mãe!Então coloquei "Baudelaire" como assinatura pra ela não saber que eu escrevo essas coisas e nem ser influenciada por eu ter escrito.Ela leu,olhou para mim e disse: "Você precisa aprender o que é poesia,fica lendo essas merdas que vai contaminar você com essa porcaria." É incrível o quanto funcionamos a estimulantes...

quarta-feira, 16 de abril de 2008

O sorriso seco
O eco percorre
Meus sonhos despertam
Objetivo abjeto

A lenda é cais
Navio negreiro de liberdade
Mármore que racha e quebra
Olhar sereno brilhando,desespera

O fim uma reta
A curva, temporária salvação
O medo daquilo que reside
Insiste em afligir

Quem sabe um ser
Um dogma desconhecido
Mentira e verdade
Completam-se para existir

O alívio relaxa
A tensão do que tenciona
Tentar,ousar,lutar
Desistir enfim,quando alcança

terça-feira, 8 de abril de 2008

Efeito Colateral

E de repente
De modo tão doce quanto veio
Vai ao longe
Lá,além do distante
Meu saber oboleto
Do que venho a ser realmente
Se dispersa
Tão fulgás!
O sorriso que me empenhei em desenhar
Escorre por entre os dedos
Os dedos
As unhas
Os cabelos
As formas sevão
Pelo vão em que vislumbrei o outro mundo
Com seus prédios que cobrem céu
E as grades que dividem
A grama suja de urina
Do cão uniformizado e cansado
De seu árduo trabalho escravo
Em que ganha em promoção
A lavagem que os porcos lhe dão

E respostas imediatas
Para questóes intermediárias
De razão
Paixão
E ilusão
Se concretizam
Num virar de páginas

As luzes brilham mais fortes
quando nos apagamos da visão
Que nos acostumaram a ver
Os passos não indicam mais o caminho
Mas passeiam a esmo
encontrando aqui e acolá
Uma pegada
Em nossas descobertas virgens

E virgens são as atitudes
Por mais repetidas que já tenham sido

Estou no início de uma nova era
uma nova vida
Novas escolhas
Sem que contudo
Nenhuma delas seja inédita
Nada na verdade é novo
A verdade é nova de uso
É apenas o início
De descobertas há muito feitas
Refeitas e vividas
Porém esquecidas

Esqueço ou aprendo?

sexta-feira, 28 de março de 2008

Cinco quartos

Quinta feira eu sei que
De dentro do longe vem
Vem de não sei quem
Como?Porque ou onde
Quinta,quero te ver amanhecer
Para sugar de você
O frescor da brisa que sopra
A água que do nosso céu escorre
E reflete nossos rostos sonolentos
Sorridentes
Não importa
Quero você
De qualquer forma
Não preciso dos sentidos saturados
Quero a vida vivida
Crítico sem saber
Quem me cerca
Quem me ronda
Ou o ser que me afaga
O cérebro reticente
Prostrado,exausto de passado,
Do ontem louco
A loucura de quem que
O ontem vem
Vem morar atrás de nossas janelas
Beber de nossos pastos de vontade
O ontem vem!
Mas também amo ele como memória
Que acaricia e apunhala
Nos nossos momentos quíntuplos
Quinta!
Quero de ti
Todo dia
Dos dias que são todos
Sem contudo serem completos
Mas há sim o completo
Eu quero completar-me
Não sei mais o que são sentidos
Mas e daí
Há quanto tempo ouço canções sem sentido
Que são as coisas que me deixam assim...
Um ser
Que não tem medo
Dos cadeados,dos cabos de aço
Do metal derretido
Do calor que não acaba
Chamas vermelhas...
Do quando eu morri ontem,
Eu morri,ontem!
E quando procurei aqui o
Que talvez temi
E talvez deixei,deixei vir
VEM!
Pálido ou rosado,Simples ou complicado
Abstrato ou dantescamente
Concreto
Eu te chamei mesmo
Vivo-morto
Te invoco novamente
Lua de quinta,sexta de gente
Gente que para
Para olhar flores
Talvez quando eu olhe
As cores ficam mais vivas
Os insetos se alimentam
Da melhor forma
E no buraco das flores
Os dentes rangendo
Os sonhos vivendo
E a caneta escreve sem medo

Que do feno,de lira
Do gesso,da letícia
No quarto,na quarta-feira no quarto escuro e cego
O cego que não tem
Mas talvez
Vem...
Vem que tem
Sonâmbulos que dormen acordados
E vivem quando sonham
Meus sonhos,
Obrigada
Eu os tenho quando quero
Quando ando
Quando durmo
Quando viva procuro viver
E me deparo com a Vida
Maldita
A me contradizer
Onde me encontro
Neste deserto florescente
Eu estou florescendo!
Floresta escura,vida madura
Que não quero ter
Abro as janelas e vôo por elas
Do ontem que não tive
Do amanhã que quase vive
E do agora,há agora,agora
Conselho de poetas
Só tenho você


Esse poema foi,até hoje,a experiência mais forte,mas bonita,mais sensual,jocosa,luxuriosa,brilhante e mágica que eu já vivi.
Foi talvez a única vez em que,realmente compartilhei algo,e não comecei com pouca coisa,o que dei foi mais do que tenho,pois tenho demais,mesmo carecendo daquilo que excedo.
Não há comentários...Foi singular...Inigualável...

segunda-feira, 24 de março de 2008

Estou presa na parte do mundo em que a realidade acontece.Acomete em súbitos soluços,sua fúria a rasgar-me a face.Procuro,em vão,o torpor,que a droga da vida me deveMe rodeio de rodeios,que permeiam o "x' da questão.Estou só na multidão que me leva e me traz,e traga de mim,um sorriso infantil.Os braços pendem enquanto penso,e se movem quando a idéia apaga.Vultos passam correndo enquanto andam,e giro na rapidez do que continua a não acontecer.Vejo tudo,mas estou cega,meus olhos estão opacos,sempre estiveram.
O torvelino,o que é?O que não consigo fazer?O que deveria ter feito?O fazer-me que não faço?
Estou no centro da espiral que engoliu meus pés,minhas pernas,minhas mãos,o que resta de meus,são somente esses malditos olhos assustados a suplicar a solução que tenho em um piscar,mas a lágrima escorre,e eu os arregalo um poco mais.Estou me consumindo,no fogo brando da paixão,de me conseguir ainda conseguir.O grito vem a garganta,mas engulo,com o soluço que expulso.E arregalo meus olhos mortos um pouco mais.Mas olha só!Que música phoda!!!Vamos dançar e aproveitar a tregua do engano.Me dê apenas mas 5 minutos,é tão quente nessa parte da ilusão...Por favor,sómais 5 minutos!Escuro.Explodo e me reagrupo nas mil maneiras de ser eu,mas nem por isso,chego perto de ser estrela.Uma janela acesa as 2 da manhã.O que eu faria se morasse ali???Eu viveria.Mas não moro lá,não moro em lugar nenjum.E vivo?Eu estou entre anecessidade de viver e o viver por necessidade.Oh!Não quer mais dançar comigo?Tanto faz.Eu me viro de costas e gargalho,ah,é tão bom rir!!!E quando todos me olham assustados,por esse rir obceso,afasto com a mão e olho zombeteira para disparatada alusão.Estão convencidos?distorço meu rosto nesse esgar doloroso,no escuro,onde ninguém pode me ver.Como é engraçado!Como é bom!Caio no chão,embriagada com tamanha felicidade,e lágrimas do riso me veêm a face e quando escorrem,transborda em fim,o início do meu desespero.Que cena peculiarmente patética!O reflexo não distorce e mostra verdades que não quero saber.Alice,por que não estás ai?Por que tenho todos os dedos na mão?Imagem maldita e malvista,cale-se.Quem é o meu mestre?Alice por que não estás ai?Olha só!Que irônico!Há um buraco no buraco em que afundo...Mas e daí?É sexta feira!Hora de comprar alguma fuga barata.E quando finalmete resolvo falar,estou rouca e solto sons animalescos.Enfim,era só isso que eu queria dizer mesmo.E meus olhos me engolem,me transformo,mas não mudo,o que muda dessa vez,é que nada mudou.Meu vocabulário pobre,não limita minhas mensagens.Mas que engraçado!Não tenho mensagens!Gargalhe comigo dessa vez!Veja como é bom!O horóscopo de hoje falou para os aquarianos evitarem tomar decisões precipitadas.Bom conselho.Vejo a janela e só vejo uma janela,com a parte da paisagem que mereço ver.Um muro e um pedaço de céu.Tem um varal onde roupas tremulam ao vento.É tudo tão bonito...A quanto tempo estou aqui?Meu foco desfoca o foco que foco.Algo me diz que estou com sono,devo dormir.Mas como fechar esses malditos olhos?Prciso de um sentido,se não for pedir muito,uma direção.Tinha um círculo de nuvens na lua.É bonito.Assim como o muro.Tanta coisa diz tanta coisa.Não sou muro,não sou lua,não sou círculo(sem contudo deixar de ser cíclica).Nem sou tanto,nem tanto digo.E lá vem o torvelinho de novo.o quê?Que saber onde guardei meu coração?HAHAHAHAHA!!!Não seja ridículo!!!Você sabe onde está,pois o tomou.Não,eu não te amo,você o tirou de mim,não fui eu que o dei.Por favor,agora não...Putz!É mesmop,me confundi,sou sagitário!Mas meus ascendente descendeu faz muito tempo.Não ria!!!É sério.Quem sabe ir com você não seja mais fácil?Por que você ainda ri?Não,não estou falando sozinha!Falo com você.HA!!!Estou falando sozinha!!!Desista você não vai conseguir.O que significa um monstro assassino cheio de luz?É obsceno tanta castidade!Quero transbordar algo que não sejam minhas meias verdades.É mesmo!Há meias espalhadas pelo chão!Alice,volta!Tenho a impressão de que os tempos de gato sorridente estão indo embora.A propósito.É tarde!É tarde!É tarde!Então é isso.Soltei o novelo.